Cartaz do filme Guerra Conjugal.
1975


Joaquim Pedro escreve e filma Guerra Conjugal, adaptação de contos de Dalton Trevisan, escolhidos dos livros Guerra Conjugal, Novelas Nada Exemplares, Desastres do Amor, O Vampiro de Curitiba, Cemitério de Elefantes e O Rei da Terra.  No elenco: Carlos Gregório, Ítala Nandi, Lima Duarte, Cristina Aché, Jofre Soares e Carmem Silva.

Guerra Conjugal recebe os prêmios: Air France para o Melhor Filme Brasileiro; Coruja de Ouro do INC/Embrafilme para Melhor Roteiro; Qualidade Embrafilme; Melhor Diretor, Melhor Montagem e Melhor Atriz, no Festival de Brasília; selecionado para Cannes, na Quinzena dos Realizadores; Menção Honrosa no Festival de Barcelona.

"O belíssimo filme de Joaquim Pedro me deslumbrou os olhos, alegrou o coração e edificou a alma. Melhor que o livro é essa fabulosa obra-prima dirigida com garra, humor e consciência crítica. Uma experiência inesquecível o filme Guerra Conjugal. Foi para mim e será para todos os que assistirem".

Fragmento do artigo "O filme visto por Dalton", escrito por Dalton Trevisan e publicado no jornal O Globo em 24/03/1975.


"A servidão doméstica, o beijo apodrecido, as varizes, a porta aberta, a arteriosclerose, o barulho da boca, o erotismo de cozinha, a concupiscência senil, os tapas na gorda, o delírio da carne em flor, a cama dentada, o voyeurismo necrófilo, a decoração de interiores, o sexo em dúvida, a bronquite asmática e mesmo o triunfo final da prostituição sobre a velhice indicam, entretanto, a possibilidade de redenção pelo excesso de pecado"

Fragmento da sinopse do filme Guerra Conjugal, intitulado "O diretor descreve o filme" no press book de lançamento do filme, escrita por Joaquim Pedro de Andrade, sem data.
Joaquim Pedro divorcia-se de Sarah. Escreve o projeto As Minas de Prata, baseado no livro homônimo de José de Alencar – projeto abandonado antes de sua conclusão.


1976


Joaquim Pedro, em parceria com o crítico Miguel Pereira, dirige para a TV Globo o programa – reportagem Vocações Sacerdotais (parte da série Caso Verdade). Na véspera da exibição ocorreram três atos de violência diretamente relacionados com o programa: uma bomba jogada na frente da casa de Roberto Marinho, diretor das Organizações Globo; outra bomba deixada na sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB; e Dom Adriano é seqüestrado e seviciado. As fitas originais de imagem foram dadas como perdidas e o programa nunca foi transmitido: restou apenas uma cópia em fita k7 do áudio já editado.

"Em 1976, a TV Globo pediu, através de Walter Avanccini, que Joaquim Pedro de Andrade produzisse um programa da série Caso Verdade.(...) Durante o processo de elaboração do roteiro, ficou claro que algumas questões seriam, digamos assim, o leitmotiv do programa. Joaquim tinha muito interesse em saber o que levava um jovem a se interessar pelo sacerdócio. Por outro lado, estávamos em plena ditadura militar e a Igreja Católica tinha uma atuação de resistência e compromisso com os mais pobres como centro de suas pastorais. Joaquim buscava também sentir na realidade dos vocacionados se de fato esse potencial "revolucionário" estava presente nesses jovens."

Fragmento de depoimento de Miguel Pereira sobre o programa Vocações Sacerdotais.
O cineasta casa-se com a atriz Cristina Aché.



Foto de divulgação de porta de cinema do filme Vereda Tropical. (gentilmente cedida pelo MAM)


Capa do programa do festival New Directors New Films.


Documento da censura.

1977


A Editora Três promove um concurso de contos eróticos na revista Status. Dos cinco contos vencedores, é censurado "Mister Curitiba", de Dalton Trevisan. Dos outros quatro são feitas adaptações cinematográficas que formam o longa-metragem Contos Eróticos. Joaquim Pedro escreve e dirige o episódio Vereda Tropical, adaptado do conto "Vereda Tropical", de Pedro Maia Soares.

Vereda Tropical mostra a relação erótica entre um homem (Cláudio Cavalcanti) e uma melancia. Segundo o diretor, o filme é "educativo e libertário".

Protagonizado por Cláudio Cavalcanti e Cristina Aché, o curta é integralmente censurado no Brasil, com exceção da última seqüência, em que Carlos Galhardo interpreta a canção Luar de Paquetá. Solidários com Joaquim Pedro, os diretores dos outros episódios – Roberto Santos, Roberto Palmari e Eduardo Escorel – recusam-se a exibir o longa mutilado. O Festival New Directors/New Films, de Nova Iorque, convida apenas o episódio Vereda Tropical, mas o cineasta, em retribuição ao gesto de seus colegas, envia o longa-metragem completo.

Joaquim Pedro faz a produção executiva de Gordos e Magros, comédia dirigida por Mário Carneiro. Dia 12 de janeiro nasce o segundo filho de Joaquim Pedro, Antonio Francisco Aché de Andrade, primeiro filho da atriz Cristina Aché.

"Amo melancias. Gosto de possuí-las ao fim da tarde, quando vem chegando a penumbra, de pé, sobre a mesa da cozinha, no sofá, onde é mais aconchegante, ou deitado no tapete da sala, onde podemos rolar de um lado para o outro".

Fragmento do conto "Vereda Tropical", de Pedro Maia Soares, publicado na Revista Status em 1976.


"É um filme diferente dos que eu fiz até hoje, alegre, otimista, enquanto que os outros eram terríveis, tenebrosos. (...) Na minha opinião, ele acrescenta alguma coisa ao cinema brasileiro e ao cinema em geral. E Vereda Tropical já é um filme autocensurado dentro dos limites óbvios da censura, na medida em que sei onde vivo e faço filme para passar e não para ser proibido. Quando isso acontece é como se o filme deixasse de existir. Fico frustrado, desmotivado, descrente".

Fragmento do texto "Censurado aqui, convidado para festival em Nova Iorque", publicado no Jornal do Brasil em 25/02/1979.



Foto de escultura do Aleijadinho.
1978


Joaquim Pedro dirige o documentário Aleijadinho, curta-metragem sobre vida e obra do escultor Antônio Francisco Lisboa. O filme, dedicado a seu pai, Rodrigo Melo Franco de Andrade, tem roteiro assinado pelo arquiteto Lúcio Costa e fotografia de Pedro de Moraes.

"O Dr. Lúcio Costa tinha um roteiro de cinema na gaveta, sobre o barroco mineiro, que ele conhece profundamente. Dois ou três cineastas – não vou dizer o nome deles – tinham tentado filmá-lo, mas o Dr. Lúcio não ficava satisfeito. Dizia sempre: "este roteiro eu não assino!". Aí, o Joaquim, também mineiro e barroco, quis fazer. Pois o filme ficou tão requintado quanto o barroco. Mais, impossível".

Fragmento de entrevista intitulada "Ao amigo Joaquim com carinho", de Pedro de Moraes concedida ao jornal O Globo em 19/09/1988.



Manchete do jornal Correio Braziliense
1979


O curta-metragem Vereda Tropical é destacado pelos festivais do Brasil e do mundo como o melhor dentre os episódios do longa-metragem Contos Eróticos e convidado separadamente para mais três importantes eventos. Ganha o Prêmio Especial do Júri na Primeira Mostra do Festival de São Paulo e faz grande sucesso nas exibições da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e no Festival Internacional de Veneza.

"Joaquim Pedro causa furor com seu Conto Erótico -  Apresentado quarta – feira e na quinta, em cinco sessões, dentro de uma seleção de curtas, foi a presença mais marcante. (...). Em pouco menos de 20 minutos, Joaquim Pedro provoca um impacto que só foi conseguido pelas primeiras produções européias no gênero. Isso não significa dizer que se trata de um filme pornográfico. Está longe de pretender isso. Funciona sim é como um verdadeiro deboche ao gênero. "

Fragmento do artigo "Cannes – Joaquim Pedro causa furor com seu Conto Erótico", de Leon Cakoff, publicado no jornal Correio Braziliense em 23 de maio de 1979.
Em 13 de julho nasce Maria Graciema Aché de Andrade, segunda filha do casamento de Joaquim Pedro com Cristina Aché.

Joaquim Pedro escreve o roteiro de O Homem do Pau Brasil, longa-metragem sobre vida e obra do escritor Oswald de Andrade.

"Quando fui fazer o Macunaíma, comecei a me interessar pela figura de Oswald, que era uma espécie de outro lado do Mário de Andrade. Como eu admirava imensamente o Mário, eu tinha a tendência de tomar partido nesta espécie de oposição, de antagonismo que havia entre as duas figuras, em favor do Mário. Inclusive por questões próximas a mim, porque Mário trabalhou com meu pai e eu sentia da parte de todos uma grande reserva moral em relação ao Oswald e uma admiração sem limites pelo Mário, embora todos admirassem muito a obra de Oswald. Então comecei a ler o Oswald, a achar realmente muito engraçado, e a gostar muito dele, e a sentir que ele era muito aquele herói sem nenhum caráter que eu estava filmando, que ele era muito o Macunaíma."

Fragmento de entrevista de Joaquim Pedro, concedida a José Carlos Avellar, intitulada " Joaquim Oswald Mário Pedro de Andrade Rocha", publicada no Jornal do Brasil, sem data.





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